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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011


Poesia classificada em 3º Lugar no II Concurso Literário 

"Prêmio Valores da Nossa Gente".


Uma flauta e uma moça: simples personagens 

da Praça do Povo

Denise Andrade Alvarenga


Avenida Getúlio Vargas, palcos de grandes personagens!

Dos famosos aos mais anônimos.

Personagens esses que se escondem, que se revelam ou que se sentem superiores.

Entre tantas montanhas e escadarias, vê-se a Praça do Povo, de onde se ouve, ao longe uma música.

Uma música de uma nota só...

Bem mais possante que se comparada aos ruídos dos veículos e com a habilidade de um  cantor soprano, com capacidade suficiente de entorpecer pássaros e enlouquecer os homens.

Quem passa por lá pode vê-las: a moça e a flauta-doce da moça. Com seus lábios grudados naquela flauta, a moça traduz o que um ser humano é capaz de revelar com talento e simplicidade.

A moça muda da Praça do Povo, tocando sua música de uma nota só, merece respeito, uma salva de palmas, e mais: um ramalhete de rosas vermelhinhas simbolizando a sua presença, essencial e permanente, naquele local.

Ela, a moça, mostra sua arte no som da flauta, porque lhe falta...a voz!

Não fala através de palavras, porém, o instrumento musical por ela adotado, lhe oferece a participação num mundo barulhento e, que exprime sons diversos, desde o choro de uma criança até as palavras sábias de um mestre!

Personagens (flauta e moça) que, aos olhos frios são invisíveis, porém, naqueles que percebem beija-flores e borboletas, imprescindíveis seres no cenário da Praça...

Ouça o som da flauta e repare como a moça fala através dela!

Depois, pergunte-se:

_O que significa uma flauta doce atuante, presa à boca de uma moça muda?

Talvez seja uma cena enviada pelos anjos, aos homens, de que é necessário reconhecer que a vida é para ser ouvida, mesmo que seja ouvida através de uma música de uma nota só; manuseada por uma moça que anseia falar com palavras, mas, já entende o mundo dos sons, dos mansos e dos aflitos...
Esse mundo que permite ensurdecer os indiferentes com sua flauta-doce, instrumento por ela eleito para derrubar o seu silêncio e a omissão de sua voz!





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